domingo, 29 de novembro de 2015

Fotografia

Te vi dias atrás.
Estava com aquela camiseta
vermelha e uma calça jeans.


De longe pude sentir teu cheiro.
Algo como rosas, café e páginas de livros antigos.
Aparentava estar feliz.
Quis estar com você , mas me escondi
e prolonguei o momento.
Você não falaria nada. 
O silêncio me deixaria feliz também.


Congelei você e pus no bolso. 
Estava tão quente, tão cheio de vida.
O vermelho escorreu por minhas mãos.
Me queimei com seu calor,
mas foi só uma lembrança.


Havia relevo.
Era sua pele, seu cabelo, suas mãos macias.
Te afoguei com uma lágrima
mas você continuou sorrindo, sorrindo e sorrindo.


Te sequei, beijei e pus no bolso.



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Marrom é bom?





Café com leite, chocolate, feijão, castanha, carne assada de panela, todas essas coisas maravilhosas numa cor tão sem graça. Sério, tenho um problema sério com essa bendita cor. Não sei exatamente porque, mas o marrom me deixa muito desconfortável e me passa uma sensação de ausência de vida, de exaustão, de sono. 

É uma cor solitária e triste que me deixa extremamente cansado e me faz achar que tudo é velho demais. Por isso insisto em dizer para todas as pessoas próximas a mim o quanto eu não gosto dela para que não me dêm nada marrom, mas a fulana insiste em me acompanhar mesmo sem ser convidada.

Assim que eu declarei de vez guerra a essa cor, uns dois anos atrás, ela resolveu se meter em tudo que é canto. Começando com a vez que fui trocar de óculos. Lembro como se fosse hoje... Saí de casa decido a comprar um modelo de armação grossa que já vinha paquerando na vitrine a uns meses e que ficava perfeito em mim. Porém, no dia fui que fui à loja para comprar só tinha um único modelo, e advinha de qual cor? Isso mesmo, marrom! Poderia até comprar em outro local, mas nenhuma outra loja tinha um que ficasse bem em meu rosto, sempre ficavam grandes ou pequenos demais e o único preto que achei que ficava igualmente bom custava duas vezes mais que o óculos marrom. Resultado?


Foto um tanto antiga de quando eu comprei o óculos

       Meses depois disso eu me mudei para meu cafofo, mas os meus primeiros passos para conquistar aquela falsa independência de morar sozinho foi tomado com a ajuda dependência dos meus pais, ou seja, as primeiras coisas compradas para dentro da minha casinha foi minha mãe que escolheu. E o que é de se esperar? Ela usou e abusou do marrom, que aliás é uma cor que ela ama. 

Começando com uma cortina azul que ela disse ter encomendado, mas o desgraçado do vendedor entregou a ela uma marrom. "Foi  única que sobrou" disse ele. Porque será, hein? Com isso eu apertei um freio e impedi que ela saísse transformando minha casa numa caverna e insisti em cores. Viveria, se possível, num arco-íris com toda as cores vibrantes e felizes. Queria verde, vermelho, azul. Tudo menos marrom. E assim ela fez, mas não antes de me comprar uma capa de sofá nessa cor que você já sabe.

Quando eu pensei que tudo tivesse acabado ela me liga dizendo que comprou um tapete grande para colocar na sala, que eu iria amar, que eu poderia deitar no chão e assistir tv, ler meus livros, comer na sala e mais uma dúzia de vantagens que me deixaram imediatamente animado. Vou ter um tapete! Eba! Vou ter um tapete. \o/

Gosto tanto de tapetes pois me trazem lembranças da minha infância, de quando eu assistia Teletubbies na casa da minha vó, ou via minha titia fazendo crochê ou algum artesanato. Lembranças muito boas e agradáveis, do tipo que eu quero construir do meu primeiro cafofo para daqui a uns anos. E mamãe percebendo minha euforia com o novo presente, ela escondeu um detalhe que só descobri depois que cheguei em casa. Havia no meio da sala uma enorme sacola com algo dentro enrolado e eu imediatamente fui abrir pois estava ansioso para conhecer meu mimo e quando abro dou de cara com um tapete super colorido. Colorido com uns cinco tons de marrom. MARROM! 

Depois dessa levantei bandeira branca e decidi acabar com essa guerra antes que eu perca. Não comecei  amar a cor de um hora para a outra, no entanto estou me forçado a aceitar minha casa do jeitinho que está. Eu sinceramente pretendo construir lembranças boas da primeira casa que morei sozinho e se for para ter lembranças marrons, que seja. Sinto que um dia vou lembrar de hoje e rir muito do que está acontecendo sentado numa poltrona de madeira bebendo uma xícara de café com leite e comendo um ótimo bolo de chocolate.



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Hiato

*No sentido figurado, um hiato representa uma falha, uma lacuna. Pode ainda ser definido como uma interrupção entre
dois acontecimentos.



7 de outubro de 2015. Essa foi a data da postagem anterior a essa. Hoje faz exatamente um mês e três dias que eu não escrevo mais nada pra cá pro blog. Passei por uma fase que os artistas chamam de hiato, em que eles somem da mídia, não produzem, não publicam e não divulgam nada. Bem como aconteceu comigo, com a diferença que não sou artista. Mas porque eu tive esse hiato? É duro falar mas foi por preguiça, falta de comprometimento ou ainda por achar que nada que eu escrevesse nesse meio tempo fosse bom o suficiente para postar aqui. Isso acontece comigo de vez em quando, pois tenho o sério problema de começar uma coisa e não continuar. Mas aqui estou eu tentando prosseguir.

De outubro pra cá aconteceram tantas coisas legais que valeriam a pena contar, mas eu tava ocupado demais assistindo Orphan Black/Empire/How To Get Away With Murder. Poderia contar num post sobre uma "micareta de Jesus" que fui na metade de outubro, poderia falar sobre o fim da greve da faculdade, sobre uma coelha que eu quase adotei, e ainda sobre um "grupo de dança" que eu e umas amigas resolvemos fazer e postar vídeos engraçadinhos no Youtube. Coisas que eu poderia agora escrever em apenas um parágrafo porque os detalhes eu esqueci já que se passou tanto tempo. Fora isso não teve muita coisa, simplesmente mais do mesmo como ir do estágio pra casa e de casa pro estágio (esse looping eterno). 

Bem, posso começar com a micareta, que na verdade não era bem uma micareta e sim uma procissão católica. Acontece que era tão animada e com músicas tão legais que mais parecia um carnaval, com a diferença de que só tinha água para beber e não se via briga nem pegação. Confesso que num primeiro momento não queria ir pois seriam 16 quilômetros andando pelas ruas da cidade e a minha imagem de procissão (círio, sei lá o quê) era de um bando de senhoras com lenço na cabeça cantando segura não mão de Deus e vai. Me enganei profundamente.

Ah, e a faculdade está de volta a todo o vapor. A greve acabou. É isso! 

Sobre a coelha que quase adotei é o seguinte: minha amiga me disse que um tio que mora no interior tinha uns coelhos pra doar e eu disse que queria um. Bem, se passou um tempo e nós nunca mais conversamos sobre o assunto e eu acho que os coelhos já foram até adotados por alguém lá mesmo do interior. Uma dó, pois fiquei tão empolgado com a ideia de ter uma coelha. Já até imaginei uma vida ao lado desse animalzinho que eu nem conheço mas já amo pacas. Ela se chamaria Carmen Lúcia, em homenagem a melhor vilã ever, a Carminha de Avenida Brasil. Mas deixa pra lá, não é bom abrir uma ferida que já está cicatrizada, não é mesmo?

Por último aconteceu o Dals Group que na verdade não passa de quatro doidos que resolveram pagar mico dançando na internet. Coisa de gente que não tem o que fazer mesmo, mas acho que não vai pra frente. Como eu disse no começo, eu tenho um sério problema de começar uma coisa e não dar continuidade e parece-me que estou cercado de pessoas com o mesmo problema que eu. Orem por nós.