Café com
leite, chocolate, feijão, castanha, carne assada de panela, todas essas coisas
maravilhosas numa cor tão sem graça. Sério, tenho um problema sério
com essa bendita cor. Não sei exatamente porque, mas o marrom me deixa muito desconfortável e me passa uma sensação de ausência de vida, de exaustão, de sono.
É uma cor
solitária e triste que me deixa extremamente cansado e me faz achar que tudo é
velho demais. Por isso insisto em dizer para todas as pessoas próximas a mim o
quanto eu não gosto dela para que não me dêm nada marrom, mas a fulana insiste em
me acompanhar mesmo sem ser convidada.
Assim que eu
declarei de vez guerra a essa cor, uns dois anos atrás, ela resolveu se meter
em tudo que é canto. Começando com a vez que fui trocar de óculos. Lembro como se fosse hoje... Saí de casa
decido a comprar um modelo de armação grossa que já vinha paquerando na vitrine
a uns meses e que ficava perfeito em mim. Porém, no dia fui que fui à loja para
comprar só tinha um único modelo, e advinha de qual cor? Isso mesmo, marrom!
Poderia até comprar em outro local, mas nenhuma outra loja tinha um que ficasse
bem em meu rosto, sempre ficavam grandes ou pequenos demais e o único preto que
achei que ficava igualmente bom custava duas vezes mais que o óculos marrom.
Resultado?
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| Foto um tanto antiga de quando eu comprei o óculos |
Meses
depois disso eu me mudei para meu cafofo, mas os meus primeiros passos para
conquistar aquela falsa independência de morar sozinho foi tomado com a ajuda dependência dos
meus pais, ou seja, as primeiras coisas compradas para dentro da minha casinha
foi minha mãe que escolheu. E o que é de se esperar? Ela usou e abusou do
marrom, que aliás é uma cor que ela ama.
Começando
com uma cortina azul que ela disse ter encomendado, mas o desgraçado do vendedor
entregou a ela uma marrom. "Foi única que sobrou" disse ele.
Porque será, hein? Com isso eu apertei um freio e impedi que ela saísse
transformando minha casa numa caverna e insisti em cores. Viveria, se possível,
num arco-íris com toda as cores vibrantes e felizes. Queria verde,
vermelho, azul. Tudo menos marrom. E assim ela fez, mas não antes de me
comprar uma capa de sofá nessa cor que você já sabe.
Quando
eu pensei que tudo tivesse acabado ela me liga dizendo que comprou um tapete
grande para colocar na sala, que eu iria amar, que eu poderia deitar no chão e
assistir tv, ler meus livros, comer na sala e mais uma dúzia de vantagens que
me deixaram imediatamente animado. Vou ter um tapete! Eba! Vou ter um tapete.
\o/
Gosto
tanto de tapetes pois me trazem lembranças da minha infância, de quando eu
assistia Teletubbies na casa da minha vó, ou via minha titia fazendo crochê ou
algum artesanato. Lembranças muito boas e agradáveis, do tipo que eu quero
construir do meu primeiro cafofo para daqui a uns anos. E mamãe percebendo
minha euforia com o novo presente, ela escondeu um detalhe que só descobri
depois que cheguei em casa. Havia no meio da sala uma enorme sacola com algo
dentro enrolado e eu imediatamente fui abrir pois estava ansioso para conhecer
meu mimo e quando abro dou de cara com um tapete super colorido. Colorido
com uns cinco tons de marrom. MARROM!
Depois
dessa levantei bandeira branca e decidi acabar com essa guerra antes que eu
perca. Não comecei amar a cor de um hora para a outra, no entanto estou
me forçado a aceitar minha casa do jeitinho que está. Eu sinceramente
pretendo construir lembranças boas da primeira casa que morei sozinho e se for
para ter lembranças marrons, que seja. Sinto que um dia vou lembrar de hoje e
rir muito do que está acontecendo sentado numa poltrona de madeira bebendo uma
xícara de café com leite e comendo um ótimo bolo de chocolate.