quinta-feira, 16 de março de 2017

Se é a primeira vez que você chega aqui, seja bem-vindo. Esse é o Apartamento14. Caso essa seja sua segunda vez ou mais você deve ter reparado que esse não é bem o blog que você viu da sua última passada por aqui, não é verdade? Mas mesmo assim seja muito bem-vindo de novo.

Eu tenho esse blog há pouco mais de três anos e nesse tempo todo o blog já passou por várias transformações. Já mudei de estilo, já mudei de objetivo, já mudei de nome, enfim, mudei ele de tantas formas que cada vez que um visitante chegava aqui pela segunda vez parecia ter parado em um blog totalmente diferente. Isso sem contar as vezes que eu mudei esse bendito layout. 

Eu não saberia te explicar muito bem porque isso acontece. Quer dizer, eu poderia até te dar alguns motivos mas você não se convenceria então vamos dizer que eu sou doido e abuso das coisas muito facilmente. Quem sabe assim você se convence. Mas essa não é a questão desse post. 

Introdução concluída chega o momento de dizer que essa é mais uma fase da minha vida e que dessa vez (assim como foram com todas as outras) eu vou levar mais a sério e dar uma continuidade. Tô falando do fundo do coração.

O blog assim como eu muda bastante e dessa vez vai ser uma mudança mais simbólica e eu pretendo não acabar com o clima abandonando-o de novo. É o seguinte, eu pretendo mudar de casa. Não só de casa mas também de vida. Tem muitos hábitos que pretendo enfim colocar em prática e começar a ter uma vida adulta decente como muita gente por aí. Será uma nova casa com novas responsabilidades e cobranças - todas feitas por mim, é claro. 

Eu pretendo parar com essa mania de sonhar e sonhar e não realizar meus sonhos então resolvi aproveitar essa vibe de mudanças e fazer uma mudança pessoal. 

Pra esclarecer um pouco o porque a mudança no nome do blog, é o seguinte, 14 é o número do primeiro lugarzinho que eu morei sozinho na vida. Eu tinha tantos planos na época. No começo era só uma quitinete com uma cama, uma geladeira, umas prateleiras de livros, um sofá doado e uma televisão de quatorze polegadas que ficava em cima da minha única cadeira. Aos poucos, no decorrer dos dois anos que passei por lá eu fui dando minha cara ao lugar, fui colocando umas pitadinhas de minha personalidade que fizeram que aquele cafofo se tornasse o meu lugar favorito em todo o mundo.

Hoje, dois anos e um mês depois de morar lá eu acredito que colecionei boas histórias que adoraria compartilhar com você. São coisas estúpidas que aconteceram na minha quase nenhuma experiência em cuidar de um lar que podem servir pra te ajudar de alguma forma ou então só arrancar umas risadas suas e fazer você pensar "que garoto abestalhado".

Em breve me mudarei pra um outro lugar que aposto que vai me render boas histórias também, mas eu nunca vou esquecer dessa minha primeira experiência sozinho numa cidade grande. Foi maravilhoso morar lá e agora eu convido você a morar comigo, só que de outra forma, aqui, nesse Apartamento14.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Cuscuz: branco ou amarelo, o sabor é de infância

por Juliana Carvalho


Minha mãe estava na cozinha falando sozinha, como de costume, e eu cheguei para lavar o meu prato depois do jantar. Ela disse "acho que amanhã vou fazer cuscuz para o café da manhã, mas estou em dúvida se faço ou não, porque ninguém come. Você e sua irmã acordam tarde demais e sobra o cuscuz inteiro!", eu respondi "faça mãe, e de preferência deixe formar aquela casquinha gostosa que a senhora tinha costume de fazer". 

Ela em seguida disse algo meio que poético sem que nem percebesse. Mamãe disse que as pessoas que fazem todo o processo do milho já não são as mesmas de antes e, que as que fazem hoje, talvez não tenham o mesmo cuidado ou não façam o mesmo processo para a massa ter o mesmo sabor da farinha do milho de dez anos atrás. 

Eu achei tão bonitinha a forma como ela falou que fiquei pensando o quão é incrível como até mesmo o cuidado com a comida e a forma como ela fica nos abre a memória para o sabor e textura do que sentíamos no passado. 

Eu lembro bem de quando estudava o ensino fundamental pela manhã e saía cedo para a escola. Naquelas manhãs, o meu pai virava a fôrma esburacada que segura o cuscuz e o deixava inteiro no prato, pronto para ser cortado e degustado. Minha mãe costumava queimar um pouquinho só pra deixar formar uma casquinha torradinha, casquinha essa que meu pai cortava com toda a perfeição. Eu adorava ver isso! Além disso, eu adorava vê-lo encher sua xícara de café até a borda e por três colheres de leite. Um leite doce como essa nostalgia. Eu corria pra tomar café com ele e provar o cuscuz quentinho com casquinha e margarina derretendo...Costumava imitá-lo enchendo a xícara até a borda, mas evitava o leite pois esse sabor meio-termo não me agrada. 

Hoje em dia quando como cuscuz e tomo um café sempre me vêem a cabeça esses pensamentos e, consequentemente penso em como as coisas mudam. Até as pouco perceptíveis como a massa do vitamilho e com elas mudam as sensações. Já que mudou a forma de se produzir a massa, minha mãe já não consegue mais fazer o cuscuz da mesma forma, meu pai  já não corta mais o cuscuz, pois parece preferir comer pão e, devido à correria de todos nós em casa, eu já tomo o café no sofá. Sozinha. 

Parece que tudo perdeu o gosto. Eu acho sem graça demais olhar pra cuscuzeira e o cuscuz estar ali, praticamente falando "eu não vou ser cortado daquela forma como no passado, mas retire um pedaço de mim com a colher mesmo". Assim, dá um desânimo ao comer o cuscuz. Talvez porque isso tudo tenha ficado na minha memória sobre os cafés da manhã da minha nem tão velha infância.

Créditos na imagem


Gente, esse texto lindo e nostálgico é da minha amiga fofa Juliana Carvalho, que também é uma das únicas leitora do blog. Não sei em vocês, mas em mim bateu uma saudade da infância também.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Ouço Histórias de Amor

Um tempo atrás eu tive uma experiência bem legal na vida: ouvi histórias de amor. Era uma intervenção artística que fazia parte de uma oficina teatral que participei, então, mesmo morto de vergonha, botei a cara no sol e fui.

Fiquei sentado em um corredor bastante movimentado do prédio em que estudo segurando uma plaquinha com a frase “Ouço histórias de amor” escrita nela. Meus primeiros 10 minutos foram bem vergonhosos porque a cara das pessoas que me viam ali era de “What? Que pessoa em pleno meio dia de uma segunda-feira fica num corredor pra ouvir histórias de amor?” Na verdade esse povo artístico de teatro costuma fazer com freqüência coisas do tipo, mas aí que ta o negócio: eu não sou de teatro; logo, não é comum pra mim sair por aí perguntando sobre a vida das pessoas nem nada parecido.

Pois bem, passados os dez primeiros minutos sentou uma pessoa. Não importa se era um amigo e só aceitou sentar porque eu pedi uma, duas, três, dez vezes, né? Não, não importa! O amigo ficou bem relutante em se abrir no começo por conta da história não ter um final legal, mas aí perguntei se ele amou a tal pessoa mesmo que por um tempo e se amá-la o deixou feliz, ele disse que sim. Pronto! Foi o suficiente pra entender o objetivo do negócio.

A história até que começa bem quando um amigo desse meu amigo o apresenta à tal pessoa, que depois viraram muito amigos mas não podiam ficar juntos porque a pessoa tinha um namorado. Daí em diante a história fica meio tensa, pois acontece que, num momento em que meu amigo já estava loucamente apaixonado, a pessoa que ele gostava disse que tinha dado um tempo no namoro e rolou que eles acabaram transando. O tenso da história é que ela acabou bem ali. A parte do tempo no namoro era mentira e para a pessoa o que aconteceu foi somente sexo enquanto pro meu amigo tinha sido muito mais, pois já tinha se envolvido bastante na situação. Resultado: ele ficou um caco. O que se aprende dessa fábula do terror é: não transe com quem acabou de dar um tempo no namoro. Mentira, pode transar mas não se envolva. Mas voltando ao caso do um amigo: o lado bom é que ele mesmo resolveu esquecer a pessoa, bloqueou de tudo e cortou qualquer relação antes que sofresse ainda mais. Hoje em dia ele ta bem e nem sofre miséria por causa desse passado. A prova disso é que já viveu “trocentas” outras histórias de amor depois do episódio.

Depois dessa primeira história eu fiquei super curioso para ouvir uma feliz, e não demorou muito e a segunda pessoa apareceu. A história foi bem engraçada e cheia de detalhes, no entanto os dez minutos de conversa podem ser resumidos em: Um garoto rebelde gostava de uma garota da igreja, e que pra se aproximar, resolveu fazer parte do grupo de teatro, chegando até a ganhar o papel de Jesus numa peça – o garoto tinha cabelo moicano na época; ou seja, Jesus era meio punk. A garota o odiava, mas virou sua amiga e com o tempo se apaixonou por ele e estão juntos há quatro anos.




Em outra história o contador tinha vivido esse amor em outro estado e o romance acabou por conta da distância. Já em outra, o contador se sentia muito mal por ter iludido o coração de uma garota. Uma das mais fofas foi sobre uma amizade que virou amor por conta da insistência e da falta de desânimo do contador mesmo após levar mais de setenta “nãos” da pessoa que amava.

Ao longo daquele dia ouvi várias histórias que variavam de tristes a felizes, de homo a heteroafetivas, até história de amizade, já que elas também são de amor. O mais legal foi que algumas pessoas não entenderam que a iniciativa fazia parte de um curso e ligaram o fato somente a mim como o Garoto Que Ouve Histórias de Amor. Achei o máximo. Foram tantos relatos, às vezes mais de um pela mesma pessoa e algumas histórias estavam começando a serem escritas e tinham tudo pra serem felizes por muito tempo. Tomara que sejam.

Como isso tudo posso dizer que fiquei muito contente por ver que as pessoas estão amando por aí. O mundo precisa de mais amante porque, quando se está amando trancado em próprio mundinho, não importa se o vizinho dorme com homens ou mulheres, se a menina da sala de aula é negra e tem o cabelo crespo, se a caixa do supermercado é transgênero ou se a amiga não é cristã, o que importa mesmo é a felicidade de um amor bem vivido, e que todas as pessoas, mesmo que diferentes, tenham um dia a experiência de amar. Amar é tão legal que eu nem me importo se é correspondido ou não, pois só de sentir essa coisa maravilhosa no coração já me sinto mais humano e mais alegre e com vontade de sair cantando por aí como um personagem de High School Musical.

Como já havia dito, fiquei associado como o Garoto Que Ouve Histórias de Amor e por conta disso até pouco tempo uma pessoa chegou em mim no facebook pra contar seu romance. Fiquei bem feliz, pois adoro ouvir, ver e ler histórias de amor, então se aprochegue, fica a vontade e diga pra mim sobre quando você amou alguém. Sou todo ouvidos.