quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Cachecol

Está um lindo dia de sol. Um calor gostoso convida as pessoas a irem à praia ou fazer qualquer atividade ao ar livre. O céu está pintado de um belo tom de azul e nas árvores há dezenas de pássaros assoviando musiquinhas do  Maroon Five.  Um dia incrível para Madalena.

Ela tem tantas opções de lazer. Há tantos lugares que ela pode ir e aproveitar como ir ao cinema, sair para comer, jogar boliche, fazer piquenique. Ela precisa aproveitar o tempo bom da melhor maneira, afinal de contas, não é todo dia que faz um calorzinho tão agradável. Na cidade de Madalena faz mais frio que calor e esse frio congela tudo, até a disposição e alegria que um abraço quentinho não é capaz de derreter.

Em dias assim, Madalena tem um companheiro que lhe ajuda a passar por esse frio congelante: um cachecol roxo com azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Quando o frio aperta e ela não sabe como encarar a baixa temperatura da rua, Madalena abre seu imenso guarda-roupas e pega o bendito cachecol que fica na última gaveta atrás da meia de coruja lilás e parte com ele pra rua. Ela o enrola no pescoço e o leva para todos os lugares, principalmente para comer, pois em dias muito frios uma comidinha quente é sempre a melhor forma de se aquecer.

Nesses dias em que a temperatura média está em oito graus celsius, Madalena costuma sair sozinha apenas com uma roupa quente e, claro, seu cachecol. Não que gostasse de ficar sozinha (ela odeia a solidão), mas porque nenhum dos amigos dela gosta de se arriscar no "gelo" e ficar doente. Normal pensarem assim.

Hoje, com o sol forte do lado de fora, Madalena guardou novamente seu cachecol colorido no local mais obscuro de seu guarda-roupa e, quando sua mãe sugeriu que o levasse na bolsa para o caso de fazer frio mais tarde, ela respondeu que não carregaria um peso morto consigo, ainda mais em um dia ensolarado sem previsão de frio à vista. Sua mãe não insistiu mais, afinal ela sabia que a filha só fazia o que bem quisesse.

O que Madalena não ficou sabendo é que no mesmo dia sua mãe resolveu doar aquele cachecol para outra pessoa. Alguém que pudesse aproveitá-lo de todas as formas e não o abandonasse nem em dias de sol. Pode ser que Madalena nunca mais se aqueça naquelas cores roxa, azul, verde, amarelo e vermelho responsáveis por encherem de cores os seus dias cinzas; o que é uma pena pois, segundo os meteorologistas, a previsão para os próximos tempos é de temperaturas baixíssimas e nenhum cachecol do mundo poderá lhe trazer um calor tão gostoso quanto aquele que já não é mais seu.



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Refúgio

É hora de ir embora pra ilha imaginária
no meio do mar de pensamentos tolos.
Banhar num mar de otimismo
e beber água de fé.
Numa tarde de domingo ouvir o canto dos
pássaros e adivinhar animais nas nuvens.


Quanto mais distante desse mundo cruel melhor.
Ir a um refúgio onde pessoas
se ajudam, se amam, sentem dó....
Uma das outras de vez em quando.


Quanto mais limpa for a vista,
mais puro for o ar;
Onde as crianças brincam alegres
e as pessoas são livres pra amar...
Quem elas querem.



domingo, 29 de novembro de 2015

Fotografia

Te vi dias atrás.
Estava com aquela camiseta
vermelha e uma calça jeans.


De longe pude sentir teu cheiro.
Algo como rosas, café e páginas de livros antigos.
Aparentava estar feliz.
Quis estar com você , mas me escondi
e prolonguei o momento.
Você não falaria nada. 
O silêncio me deixaria feliz também.


Congelei você e pus no bolso. 
Estava tão quente, tão cheio de vida.
O vermelho escorreu por minhas mãos.
Me queimei com seu calor,
mas foi só uma lembrança.


Havia relevo.
Era sua pele, seu cabelo, suas mãos macias.
Te afoguei com uma lágrima
mas você continuou sorrindo, sorrindo e sorrindo.


Te sequei, beijei e pus no bolso.



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Marrom é bom?





Café com leite, chocolate, feijão, castanha, carne assada de panela, todas essas coisas maravilhosas numa cor tão sem graça. Sério, tenho um problema sério com essa bendita cor. Não sei exatamente porque, mas o marrom me deixa muito desconfortável e me passa uma sensação de ausência de vida, de exaustão, de sono. 

É uma cor solitária e triste que me deixa extremamente cansado e me faz achar que tudo é velho demais. Por isso insisto em dizer para todas as pessoas próximas a mim o quanto eu não gosto dela para que não me dêm nada marrom, mas a fulana insiste em me acompanhar mesmo sem ser convidada.

Assim que eu declarei de vez guerra a essa cor, uns dois anos atrás, ela resolveu se meter em tudo que é canto. Começando com a vez que fui trocar de óculos. Lembro como se fosse hoje... Saí de casa decido a comprar um modelo de armação grossa que já vinha paquerando na vitrine a uns meses e que ficava perfeito em mim. Porém, no dia fui que fui à loja para comprar só tinha um único modelo, e advinha de qual cor? Isso mesmo, marrom! Poderia até comprar em outro local, mas nenhuma outra loja tinha um que ficasse bem em meu rosto, sempre ficavam grandes ou pequenos demais e o único preto que achei que ficava igualmente bom custava duas vezes mais que o óculos marrom. Resultado?


Foto um tanto antiga de quando eu comprei o óculos

       Meses depois disso eu me mudei para meu cafofo, mas os meus primeiros passos para conquistar aquela falsa independência de morar sozinho foi tomado com a ajuda dependência dos meus pais, ou seja, as primeiras coisas compradas para dentro da minha casinha foi minha mãe que escolheu. E o que é de se esperar? Ela usou e abusou do marrom, que aliás é uma cor que ela ama. 

Começando com uma cortina azul que ela disse ter encomendado, mas o desgraçado do vendedor entregou a ela uma marrom. "Foi  única que sobrou" disse ele. Porque será, hein? Com isso eu apertei um freio e impedi que ela saísse transformando minha casa numa caverna e insisti em cores. Viveria, se possível, num arco-íris com toda as cores vibrantes e felizes. Queria verde, vermelho, azul. Tudo menos marrom. E assim ela fez, mas não antes de me comprar uma capa de sofá nessa cor que você já sabe.

Quando eu pensei que tudo tivesse acabado ela me liga dizendo que comprou um tapete grande para colocar na sala, que eu iria amar, que eu poderia deitar no chão e assistir tv, ler meus livros, comer na sala e mais uma dúzia de vantagens que me deixaram imediatamente animado. Vou ter um tapete! Eba! Vou ter um tapete. \o/

Gosto tanto de tapetes pois me trazem lembranças da minha infância, de quando eu assistia Teletubbies na casa da minha vó, ou via minha titia fazendo crochê ou algum artesanato. Lembranças muito boas e agradáveis, do tipo que eu quero construir do meu primeiro cafofo para daqui a uns anos. E mamãe percebendo minha euforia com o novo presente, ela escondeu um detalhe que só descobri depois que cheguei em casa. Havia no meio da sala uma enorme sacola com algo dentro enrolado e eu imediatamente fui abrir pois estava ansioso para conhecer meu mimo e quando abro dou de cara com um tapete super colorido. Colorido com uns cinco tons de marrom. MARROM! 

Depois dessa levantei bandeira branca e decidi acabar com essa guerra antes que eu perca. Não comecei  amar a cor de um hora para a outra, no entanto estou me forçado a aceitar minha casa do jeitinho que está. Eu sinceramente pretendo construir lembranças boas da primeira casa que morei sozinho e se for para ter lembranças marrons, que seja. Sinto que um dia vou lembrar de hoje e rir muito do que está acontecendo sentado numa poltrona de madeira bebendo uma xícara de café com leite e comendo um ótimo bolo de chocolate.



terça-feira, 10 de novembro de 2015

Hiato

*No sentido figurado, um hiato representa uma falha, uma lacuna. Pode ainda ser definido como uma interrupção entre
dois acontecimentos.



7 de outubro de 2015. Essa foi a data da postagem anterior a essa. Hoje faz exatamente um mês e três dias que eu não escrevo mais nada pra cá pro blog. Passei por uma fase que os artistas chamam de hiato, em que eles somem da mídia, não produzem, não publicam e não divulgam nada. Bem como aconteceu comigo, com a diferença que não sou artista. Mas porque eu tive esse hiato? É duro falar mas foi por preguiça, falta de comprometimento ou ainda por achar que nada que eu escrevesse nesse meio tempo fosse bom o suficiente para postar aqui. Isso acontece comigo de vez em quando, pois tenho o sério problema de começar uma coisa e não continuar. Mas aqui estou eu tentando prosseguir.

De outubro pra cá aconteceram tantas coisas legais que valeriam a pena contar, mas eu tava ocupado demais assistindo Orphan Black/Empire/How To Get Away With Murder. Poderia contar num post sobre uma "micareta de Jesus" que fui na metade de outubro, poderia falar sobre o fim da greve da faculdade, sobre uma coelha que eu quase adotei, e ainda sobre um "grupo de dança" que eu e umas amigas resolvemos fazer e postar vídeos engraçadinhos no Youtube. Coisas que eu poderia agora escrever em apenas um parágrafo porque os detalhes eu esqueci já que se passou tanto tempo. Fora isso não teve muita coisa, simplesmente mais do mesmo como ir do estágio pra casa e de casa pro estágio (esse looping eterno). 

Bem, posso começar com a micareta, que na verdade não era bem uma micareta e sim uma procissão católica. Acontece que era tão animada e com músicas tão legais que mais parecia um carnaval, com a diferença de que só tinha água para beber e não se via briga nem pegação. Confesso que num primeiro momento não queria ir pois seriam 16 quilômetros andando pelas ruas da cidade e a minha imagem de procissão (círio, sei lá o quê) era de um bando de senhoras com lenço na cabeça cantando segura não mão de Deus e vai. Me enganei profundamente.

Ah, e a faculdade está de volta a todo o vapor. A greve acabou. É isso! 

Sobre a coelha que quase adotei é o seguinte: minha amiga me disse que um tio que mora no interior tinha uns coelhos pra doar e eu disse que queria um. Bem, se passou um tempo e nós nunca mais conversamos sobre o assunto e eu acho que os coelhos já foram até adotados por alguém lá mesmo do interior. Uma dó, pois fiquei tão empolgado com a ideia de ter uma coelha. Já até imaginei uma vida ao lado desse animalzinho que eu nem conheço mas já amo pacas. Ela se chamaria Carmen Lúcia, em homenagem a melhor vilã ever, a Carminha de Avenida Brasil. Mas deixa pra lá, não é bom abrir uma ferida que já está cicatrizada, não é mesmo?

Por último aconteceu o Dals Group que na verdade não passa de quatro doidos que resolveram pagar mico dançando na internet. Coisa de gente que não tem o que fazer mesmo, mas acho que não vai pra frente. Como eu disse no começo, eu tenho um sério problema de começar uma coisa e não dar continuidade e parece-me que estou cercado de pessoas com o mesmo problema que eu. Orem por nós.



quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Resenha: Suicidas + BÔNUS

O grande mal de se ler três livros ao mesmo tempo é que você acaba não s dedicando completamente a uma história como deveria. Sabe quando você é convidado a ir a uma festa e decide ir na última hora? Você chega super atrasado e se mesmo assim se diverte horrores e só o que consegue pensar é “por que eu não vim mais cedo para aproveitar tudo desde o início?” Foi essa sensação que tive ao terminar de ler Suicidas, de Raphael Montes.

Diferentemente de uma festa, eu não cheguei na metade, ou seja, comecei a ler a partir do meio do livro. Acontece que quando eu li a sinopse do livro eu pensei “vou ler só um pouquinho porque tenho outros dois livros enormes para terminar”. E foi assim que fui levando a leitura, a cada cento e cinquenta páginas de um outro livro eu lia umas vinte de Suicidas só para provar o gostinho da história. Costumo dizer que foi uma leitura podada e me arrependo sofrivelmente por isso. Assim que acabei os tais livros grandes, pude me dedicar de corpo e alma à trama macabra desse autor maravilhoso. Se eu soubesse que seria tão bom, eu teria me jogado de cabeça.

Bem, para início de conversa quero dizer que estou numa vibe de ler literatura brasileira, e está sendo maravilhoso. Você não tem ideia das coisas boas que estão sendo produzidas aqui e recomendo que assim que acabar de ler essa resenha vá urgentemente fazer suas descobertas. Raphael Montes foi uma das minhas.

Suicidas é o primeiro livro publicado do autor e conta a história de nove jovens que foram encontrados num porão após se suicidarem em uma rodada de roleta russa. Sinistro, não é? Ao saber disso eu fiquei logo intrigado. Porque eles fariam uma coisa dessas? Tudo o que me importava era descobrir a razão dos personagens terem tomado essa atitude tão precipitada e já duvidava que a trama me convencesse. É cilada. Esse autor vai se embananar todo e não vai conseguir construir uma história convincente, vou pagar pra ver. E paguei.

A história é contada de três formas: a partir das anotações de Alessandro Parentoni, um garoto que sonha ser um escritor reconhecido com uma grande obra; a partir da transcrição da gravação de um áudio e a partir de cartas que alguns personagens trocam.

A história se passa um ano após a tragédia e o leitor acompanha as mães do jovens suicidas que estão numa delegacia na última sessão de depoimentos antes da conclusão do caso. Diana conduz a conversa lendo o livro que Alessandro estava escrevendo antes de morrer relatando, em primeira pessoa, o que aconteceu naquele porão.

Bom, o a estrutura do livro é essa, nós vamos descobrindo ao mesmo tempo que as mães os trágicos fins que seus filhos. Poderia ser um livro vazio, sem muita emoção, sem muita veracidade, mas Raphael Montes sabe construir muito bem seus personagens. Pessoas com normais que diante de situações extremas são capazes de mostrar o que pior existe na humanidade.  Ele foi capaz de descrever uma cena de necrofilia e me causar mais dó do que repulsa ou nojo, um sentimento de pena dos dois personagens, o abusador e a vítima. Há muita coisa nojenta, macabra, cruel, porém tudo na história é interligado e alguns fins que parecem absurdos são muito bem esclarecidos e justificados. Ou quase todos.

O frio escritor Alessandro; o melhor amigo dele, o mauricinho Zac, a interesseira Ritinha, a vingativa Waléria com W, o depressivo Lucas e tantos outros personagens têm personalidades tão únicas que é incapaz de confundir-nos. Raphael soube nos levar para passear sorrateiramente ao lado dele sem que percebessem e vimos o quão misteriosos e cheios de segredos eles são.

Ao acabar a leitura eu levei uns dez tapas na cara seguidos pois por trás de toda essa trágica trama nós somos questionados sobre o quanto achamos que conhecemos as pessoas e o quanto as conhecemos de verdade. Alguém com quem convivemos a vida inteira pode se mostrar um sádico louco e nós podemos não ter ideia de que isso possa ser verdade. Não faz nem muito tempo que acabei de ler e já estou planejando lê-lo em breve porque vale realmente muito a pena.

Sem dúvidas esse foi meu livro favorito do ano e merece cinco tulipas.


SUICIDAS NA TV

Como alguns de vocês sabem, eu estudo rádio e tv e amo tudo relacionado a televisão e cinema. Assim que comecei a me envolver de fato com a história e ver o quão interessante ela é, fui logo imaginando todo um elenco para a uma minissérie (porque um filme seria curto demais). Então, eu listei aqui alguns atores que, pra mim, ficariam perfeitos nos personagens do livro.



Bruno Gissoni
                                                        
Esse foi o primeiro ator que assimilei a um personagem. Foi de cara.  Talvez seja porque ele é quem mais se pareça fisicamente com o que é dito sobre o Zac ou porque quando comecei a ler o livro, o Bruno estava interpretando o Guto Rangel, em Babilônia, um carioca riquinho da zona sul do Rio de Janeiro igual ao Zac.



Daniel Torres

Você deve lembrar do Daniel em Toma Lá da Cá ou Pé Na Cova, porém oque me fez escolhê-lo foi um papel que ele fez numa novela que ele era um jovem nerd que tinha um casinho com a Bruna Marquezine. Pois bem, pensei que ele poderia fazer muito bem o Alessandro Parentoni, e a escolha foi mais como o perfil psicológico do que pelo físico. Imaginei ele dando vida ao Alê porque ele tem um jeitinho introspectivo e essa cara de riquinho intelectual.

                              


Rafela Ferreira
                                          
A Rafaela eu conheci assistindo a Malhação, naquela temporada que tinha o Fiuk. Ela interpretava uma gordinha hiper mega fofa, a Juju, então nada mais legal ver ela toda transformada nessa adaptação. A Waléria é uma personagem super nervosa, rancorosa, vingativa e livre, com certeza seria um desafio e eu acho que a Rafa (sou super íntimo) sairia super bem.


Breno Viola
    
                                                                          
O Breno poderia fazer o Dan, apesar de eu não lembrar com certeza qual seria a idade do personagem no livro. Conheço ele do filme Colegas e de uma série de reportagens que ele fez pro Fantástico. O cara é muito bom.

                                               
Giovana Lancelotti
                                                                                  
A Giovana é muito linda, não é? Queria vê-la no papel da Maria João. Ficar sem maquiagem, cortar cabelo estilo joãozinho e roupas boyfriend a deixariam perfeita na personagem.


Ghilherme Lobo

O Ghi eu conheço desde o curta Eu Não Quero Voltar Sozinho. Já vi ele na pele do Léo e na do Bernardo em Sete Vidas. Acho que o Lucas, o depressão braba de Suicidas seria um ótimo personagem e bem diferente do que ele já fez.




Malu Rodrigues
             Ela poderia fazer a Ritinha. Essa escolha não foi nada difícil porque eu já logo imaginei a Malu Rodrigues de cabelo ruivo fazendo uma estudante de direito. Adorei ela em Confissões de Adolescentes e sei que ela faria uma ótima Ritinha.



Bernardo Mendes

Pensei no Bernardo (nosso eterno Bodão) como o Noel pois já acho que ele tem o perfil. Ele teria que deixar o cabelo grandão, como normalmente usa.


Rodolfo Valente

Bonito e delicado, o Rodolfo foi minha primeira opção para o Otto. Que tal? Tô até com dó dele naquela cena lá (quem leu sabe do que eu estou falando).

                                            

Mariana Lima
                                                                                     
Débora Parentoni, uma mulher ex-rica e que faz tudo pelo bem do filho, o Alê. A Mariana Maravilhosa Lima seria a melhor Débora eveeeer.

Também pensei em nomes como Eliane Giardini como Marie Claire, Luis Melo como Getúlio Vasconcellos e Maria Luiza Mendonça como a debochada da Sônia. Um filme é muito pouco pra dar a atenção devida à trama então acho que uma minissérie de cinco capítulos seria o ideal. Chamaria José Mauro Mendonça pra dirigi-la, pois amei o trabalho dele em Verdades Secretas. O que achou da minha escolha para o elenco? Mudaria algum dos atores? Conta aí, vamos bater um papo.



quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Daquilo que aprendi com a vida

Sou um garoto novo, mas apesar da pouca idade, a vida já me deu várias lições que transformaram a pessoa que sou hoje. Alguns momentos foram difíceis pois às vezes tive que aprender à força, foram perdas, brigas, falta de comprometimento ou falta de fé mas até nesses momentos eu tinha consciência que a fase passaria e depois de um tempo eu tiraria alguma coisa valiosa daquilo.

Em toda a minha história presenciei algumas pessoas que amava partindo e outras que eu nem sabia da existência chegando e ocupando um lugar imenso no coração. Aprendi com a vida que tudo o que Deus faz é bom, e nós devemos deixá-lo tomar as rédeas de algumas coisas antes que tomemos decisões precipitadas. 

Aprendi que devemos sempre ter pessoas que amamos por perto. Esse é um dos grandes segredos da longevidade, porque pensa comigo, mesmo se elas se forem embora, ainda permanecerão vivas no coração. Os amigos são presentes maravilhosos que sempre devemos valorizar, e a vida me ensinou também que devemos priorizar pela qualidade não a quantidade. É ótimo ter muitos amigos, mas mais do que isso é ter um almoço numa tarde de domingo com uns poucos amigos que conhecemos há 40 anos. 

Uma das coisas mais valiosas é que quem nos ama de verdade aceita que sigamos nossos próprios caminhos. Se importam de verdade com a nossa felicidade e ficam felizes se estivermos felizes.Aprendi que nunca é tarde para se começar a fazer alguma coisa, seja um esporte, ou um livro, um relacionamento ou uma nova faculdade. O tempo tá aí, podemos gastar como quisermos.

Outra coisa que aprendi é que não é preciso de muito para ser feliz. Uns milhões na conta te garantem estabilidade financeira e tal, mas a grande maioria do país não tem quase que nenhum dinheiro guardado e ainda assim o Brasil é um dos países mais felizes do mundo.

Aprendi com a vida a lidar com clichês, e até a amá-los de vez em quando. A vida é bela, e precisamos lidar com isso para encarar os momentos tristes de cabeça erguida e ao fim deles tirarmos mais uma lição.

Foto do meu trote na faculdade. Um dos momentos mais mágicos e que me ensinaram que posso dividir meus sonhos com algumas pessoas.



Gostou do texto? Faz parte de um exercício de um projeto maravilhoso que estou participando, o Projeto Escrita Criativa. Quem quiser conhecer mais, acesse a página ou o grupo do projeto. Lá tem a lista de todos os blogs participantes. A ideia da postagem do mês de setembro era "Daquilo que aprendi com a vida" (obvious). Algumas pessoas optaram por poesia, outros por lista, já eu escolhi fazer um texto dissertativo curto. Mês que vem tem outro desafio!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Devaneio coletivo

O dia estava quente, bem quente. Segundo o noticiário da tv local, a temperatura da cidade estava em trinta e três graus, mas para Noele estava beirando os cinqüenta. Esses metereologistas não entendem de nada. Desligou a tv e o ventilador da sala, foi à geladeira beber um pouco de água bem gelada depois pegou a sua bolsa, pasta de xerox, celular e saiu de casa.

A garota de dezenove anos dava graças à Deus por morar próximo à parada de ônibus, pois andar bastante num sol escaldante de meio-dia para pegá-lo lotado em plena segunda-feira era penitência demais, e Noele não achava que pecasse tanto assim. No pequeno trajeto da sua casa até a parada ventava bastante, era como um bafo quente de dragão que queria de todas as formas desfazer toda aquela maquiagem magnífica que havia passado vinte minutos fazendo. Não, não era justo que o calor fosse um vilão tão baixo.

Chegando na parada, Noele ficou ansiosa para que seu ônibus chegasse, não que estivesse atrasada, porque não estava, mas sim porque era segunda-feira, o começo de uma nova semana e porque por mais inacreditável que possa parecer, Noele adorava andar de ônibus. Não fora sempre assim, pois durante toda sua infância detestava ter de andar num veiculo amontoado de pessoas desconhecidas, suadas e ainda por cima levar mais que o dobro do tempo necessário que um carro precisaria para chegar ao seu destino, mas em algum momento isso mudou, ela só não lembra bem quando.

O que Noele lembra é de uma vez ter ouvido uma bela música romântica sobre a história de amor que se desenrola dentro de um ônibus e depois disso ter sonhado que estava numa igreja, vestida de noiva e seu noivo foi fazendo um belo discurso de como se conheceram no tal transporte público. Claro que nunca passou pela cabeça dela que o sonho poderia ter sido conseqüência das milhares de vezes que ouvia e cantava a bendita música, e mesmo se pensasse não faria diferença. Como absurdamente romântica que era, Noele só pensava que aquilo era uma visão ou uma dica do destino de como encontraria  o grande amor de sua vida.

Determinada, a mulata de cachos volumosos e olhos cor de mel tinha posto a ideia na cabeça e não havia ninguém capaz de tirá-la. Havia tido três namorados em toda a vida, mas chegava um momento em que a coisa ficava mais séria e Noele optava por acabar logo o namoro. Rodrigo, o primeiro, era um cavalheiro. Metidinho um pouco, mas nada que não fosse capaz de lidar numa boa. O rapaz sabia como tratar uma mulher e lhe dava até flores, mas para Noele isso não era bom o bastante. Gabriel, o segundo, era um surfista profissional. Apesar de ser quatro anos mais velho que ela, ele ainda tinha cabeça de garotão. E se tinha uma coisa que Noele não tinha era paciência para lidar com caras imaturos. Mas Gabriel apesar de tudo fazia programas bem interessantes como levá-la para viajar, praticar esportes, assistir filmes de terror, mas para ela isso não era bom o bastante. O terceiro e mais recente foi Clodovil, um garoto tão hilário quanto seu nome. Ele tinha palavras fáceis, elogiava bastante a beleza da namorada, a levava para o pagode e era muito sociável. Clodovil sabia lidar com as pessoas no papo e foi com esse seu jeitão maroto que acabou se envolvendo com duas amigas de Noele. Ela nunca soube de nada, mas terminou com ele pois achava que também não era bom o bastante.

Isso era o que ela dizia a si mesma porque no fundo, no fundo, sabia que o motivo era outro: eles não se conheceram em um ônibus, e esse era um requisito importantíssimo para se ter alguma coisa mais séria com ela. Durante um tempo após o término Noele se sentia uma tremenda idiota, porém superava o chilique rapidinho e logo estava à procura de seu amor nos busões.

Ali na parada esperando o transporte seu coração batia forte e não sabia de que jeito, mas pressentira que o amor de sua vida seria encontrado naquele dia. Milagrosamente em menos de dois minutos ele chegou. Não o amor, e sim o ônibus. A garota subiu, deu boa tarde ao motorista e a cobradora e sentou-se em um dos bancos no meio do veículo, do lado da janela. Ao seu lado estava sentada uma senhorinha que tinha os costume de pintar os cabelos de rosa pink. Era um amor. Noele nunca soube seu nome, mas sempre se cumprimentavam e às vezes até comentavam sobre o tempo. Quando se acomodou na cadeira, a garota olhou discretamente ao redor à procura de algum rapaz interessante. Nada.

Noele estava à procura de um rosto específico, mas não lembrava nenhum detalhe, nenhuma especificidade. No sonho que teve quando nova, lembrava de ter olhado diretamente nos olhos de seu noivo e no momento até existia um rosto de verdade, mas atualmente o que restava eram lapsos de memória. Tudo borrado naquilo que viria a ser a identidade do amor de sua vida. Quando se interessava por algum rapaz  andando pelos ônibus à fora, a garota sempre tinha certeza que o rosto do tal rapaz era o de seu sonho, “só podia ser”, mas assim que descia em sua parada sua certeza se dissolvia como algodão-doce na boca. Uma sensação gostosa de estar sentindo que algo maravilhoso está com você até que ele some por completo e só fica a memória do sabor.

Noele olhou mais uma vez à sua volta e como nada encontrou resolveu ler seu livro que estava na bolsa. Como faltavam só trinta páginas para terminá-lo e o percurso até a faculdade era longo, ligeiramente terminou a leitura. Pronto, estaria sem nenhuma distração pelos próximos vinte e cinco minutos. Guardou o livro na bolsa e olhou para a janela. Viu carros, casas belíssimas, alguns garotos andando de skate numa praça, uma igreja, tudo igual aos outros dias, a única diferença era o garoto que estava sentado à sua frente e que olhava timidamente seu reflexo na janela. Noele desviou o olhar. Garoto estranho esse com uma camisa duas vezes o seu tamanho, pensou ela. Ele tinha várias pulseiras metálicas no braço, um colar com uma cruz negra e um piercing no nariz, o único detalhe que realmente exalava beleza eram seus olhos incrivelmente verdes num tom de esmeralda. Noele achou que a ênfase no olhar era causada pelos lápis de olho preto que ele usava. Ficou intrigada.

Discretamente continuou com o jogo de olhares, ficava olhando o reflexo do garoto pelo vidro, mas, quando ele olhava de volta, Noele virava um pouquinho o rosto  para fingir que prestava atenção nas fachadas das casas da cidade, sempre com um sorriso dissimulado nos lábios, claro. Continuou com isso durante um tempo e seu coração já dava pulinhos. O garoto não fazia muito seu tipo, mas se tinha que ser ele ela não reclamaria com o destino, na verdade começava até a imaginar seu rosto no corpo do noivo dos sonhos. Imaginação não lhe faltava.

O ônibus parou e a senhorinha pink desceu, deixando o lugar ao lado de Noele vazio e, como o ônibus estava quase sem ninguém, o coração dela quase saiu pela boca diante da possibilidade de o garoto se levantar e sentar ao seu lado. Naquele momento ela decidiu prestar atenção em todos os detalhes do garoto (como fazia com todos os outros que se interessava) para quando for contar para seus filhos, dissesse tintim por tintim do momento em que vira seu pai pela primeira vez. Faria questão de ser detalhista pois Natasha, Samanta e Juliano seriam como ela, ávidos por uma história de amor bem contada. Quem sabe contaria o romance enquanto os cinco passeassem com a cadelinha Teodora pelas ruas do Rio de Janeiro, cidade onde certamente morariam.

Dois minutos depois da Senhora Pink ter descido, o garoto de olhos verdes se levantou e... puxou a cordinha. Ele iria descer. Noele ainda estava a uns dez quarteirões da faculdade mas aquele ponto era o fim da linha. Fim da linha de mais uma história de amor não-sucedida. Continuou a viagem sentadinha no mesmo lugar sem saco para reparar em qualquer garoto que passasse pela catraca. Dez quarteirões depois foi a vez dela mesma descer e enfrentar mais um dia cansativo na faculdade de letras. Noele sonhava em ser contadora de histórias, não importava como.


          Às seis e meia da tarde era hora que a aula da garota acabava e ela já se preparava para pegar mais um ônibus para ir para casa. A tarde de alguma forma serviu para revigorar suas forças e seu imenso potencial de acreditar em coisas sem pé nem cabeça. Pôs o pé no primeiro degrau do veículo e já estava disposta a encontrar o amor de sua vida, mas sabia que se não encontrasse não desistiria. Na pior das hipóteses de não encontrá-lo, ela teria pelo menos uma história para contar.





terça-feira, 15 de setembro de 2015

Transformando o quarto com R$ 4,80

Olá colega da internet, tudo bem com você? Tenho uma perguntinha pra fazer: qual o seu lugar favorito de todo o mundo?

O meu com certeza é a minha casa, mais precisamente o meu quarto. É lá que eu durmo (claro), leio e também escrevo, sem contar que quando preciso desestressar eu ponho uma música no celular, me jogo na cama e, pronto, fico zen. No entanto, apesar de eu gostar tanto assim, ele é meio sem graça, sabe? Todas as paredes brancas são sem atrativo nenhum e a única coisa que dá uma embelezada nele são as minhas prateleiras de livros que ocupam só uma das paredes sendo que as outras continuam sem graça. 

Então eu aproveitei que nesse feriadão estava sem nada para fazer e resolvi reaproveitar algumas coisas que tinha em casa e fazer algo que deixasse meu quarto mais aconchegante e com a minha cara, ou seja, fofo.

Bem, como está no título do post eu gastei menos de cinco reais para transformar o quarto (a principal parede dele), mas isso se deu por conta de eu já possuir alguns dos materiais então pode ser que você gaste um tiquinho a mais, mas CALMA, não é nada absurdamente caro. Deixa eu explicar....

Eu usei 8 materiais nessa reforminha, mas eu gastei realmente só em um deles: a tinta acrílica (que por sinal eu já tinha em casa porque comprei para fazer um presentinho para uma amiga) que foi R$ 4,80. Enfim, chega de lenga lenga e vamos ao tutorial.



1 - MATERIAIS
Os materiais que eu utilizei foram pincel, caneta hidrográfica azul, fita adesiva, tesoura, régua, lápis, borracha e metade de uma folha de papel A4. Coisinhas básicas que temos em casa, nada que vai te empobrer, pelamor. Se não tiver papel use papelão que servirá do mesmo jeito, só atente pelo tamanho.

2 - TINTA
O grande trunfo dessa transformação é essa tinta acrílica maravilhosa que não tem nada a ver com pintura de parede mas que deu superhipermegapower certo. É a tinta PVA Cintilante da Corfix de 100 ml. O azul é bem lindo e tem uns bilhinhos que deixam a parede mais linda ainda, pode confiar. Bem, como eu disse, a tinta eu havia comprado a um tempo por R$ 4,80 pra fazer um presentinho pra uma amiga e tinha guardado. Quando eu fui procurar para pintar a parede ainda tinha METADE do vidrinho e acredite DEU PRA PINTAR TODAS AS NUVENS E AINDA SOBROU UM POUCO.

3 - DESENHO 
Depois de inúmeros testes eu meio que fiz uma nuvem bonitinha mais ou menos do tamanho do papel (metade de uma folha A4).

4 - RECORTE O DESENHO

5 - REPITA 
O ideal é que você faça vários desenhos da quantidade suficiente para preencher a largura da parede. Mas no caso eu não tinha papel suficiente. Que triste.

6 - COLE COM FITA
A fita é essencial pra que você demarque logo no local a base de onde você quer as nuvens. Cole-as logo em toda a extensão da parede para você ter uma ideia de onde por as nuvens da fileira acima. Eu colei a primeira onde eu acreitei ser o meio dela e as nuvens da lateral fui colando com 41 cm de distância, já as de cima foram 30cm. Como mostra na imagem, eu escolhi colocar as nuvens da fila superior na direção do meio das que estavam embaixo. Achei mais bonito assim.

7 - CONTORNE
Utilize a caneta hidrocor do tom mais próximo da tinta para contornar todas as nuvenzinhass.

8 - PINTE
Deixe seu lado Da Vinci aflorar e pinte, pinte mesmo não importando a direção. Afinal, ninguém liga. Depois de pronto mesmo não vai dar nem pra reparar que você teve todo o trabalho de pintar em um sentido só. Aproveite esse momento para relaxar, pensar nas besteiras da vida e no que vai dizer para os amigos por ter desmarcado aquela saída pro cinema.

9 - ESTOU BELÍSSIMO PINTANDO.
Estou mesmo, mas vou aproveitar aqui pra dar dicas importantes que eu esqueci de mencioná-las antes. Primeira: faça tudo isso ouvindo os álbuns YES de Jason Mraz e 21 da Adele. Eu fiz e recomendo. A segunda dica é: Misture a tinta com um pouquinho de agua num copo que você não use. O resultado vai ser o mesmo do que usar a tinta grossa e você ainda irá economizá-la. A terceira é: faça um lanchinho antes. O braço pode cansar e ter aquela fraqueza, por isso é bom comer e ficar fortinho antes.

10 - ATENTE AOS DETALHES
Se na sua parede tiver alguma coisa que não combine, pinte-a. Foi o que eu fiz com essa escápula de rede hiper enferrujada. Achei que merecia um cuidado pra não fixar destoante. Se tiver uma tomada também pelo meio do caminho, faça o mesmo, mas tome os devidos cuidados. Não quero ninguém levando choque por minha causa, pelamor.

11 - FAÇA O ACABAMENTO
Sabe aquela caçada que você fez que o pincel pintou mais do que devia e acabou ultrapassando a linha da nuvem? Relaxa, tem jeito pra isso. Claro que a nuvem vai ficar mais feinha que as outras mas nada que um contorno com o hidrocor azul não disfarce. De preferência faça um pouco mais grosso. Fica mais bem feito.

Então é isso colega, a parede ficou completamente pronta em menos de três horas e a tinta secou instantaneamente, acredita?

Em pouquíssimo tempo eu mudei muito a aparencia opaca do quarto e adorei pois senti que deu uma vida no ambiente. Se antes eu gostava dele, agora eu gosto muito mais e não sinto nem vontade de sair. Eu estou adorando essa vibe artística do contrário que ele tem. 

Por que ter uma parede azul com nuvens brancas quando se pode ter uma parede "do contra" super autêntica? 

Meu céu é de uma manhã com neblina e nuvens bem carregadas preparadas para chover a qualquer momento, então eu meio que já estou amando essa troca de cores. Afinal, o que seria da arte sem a subjetividade?




Agora dá licença que eu vou bem ali descansar um pouco lendo meu livrinho no meu céu particular. Enquanto isso você me diz nos comentários o que achou do meu "novo" quarto. Beijos.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Bomba-relógio


Era uma manhã de segunda-feira e ele caminhava. Com seu tênis cinza pisou em uma poça resultante da chuva forte que caiu meia hora antes. Estava preparado para sair, tinha vestido um sobretudo marrom, uma camiseta gelo e uma calça preta. Tudo combinado com seu estado de espírito. Combinando a cidade morta em que morava, com o frio e com a chuva que apesar de já ter caído havia deixado no céu nuvens carregadas preparadas para uma próxima visita ao chão.

O homem estava cansado, com olheiras em sua pele pálida, cabelo bagunçado e aparência de quem não havia tido uma boa noite de sono. Sua idade era bem menor do que realmente parecia. Todos o viam como um homem de 40 anos, não sabendo que ele só tinha 27.

Ele caminhava e o passo rápido denunciava seu nervosismo, e, como quem quisesse ter certeza de que não tivesse esquecido nada ele pegou o envelope pardo do bolso dentro do sobretudo. Em letras cursivas numa caligrafia muito bela havia somente duas palavra: leia sozinho.

Continuou o passo rápido e verificou o relógio analógico em seu pulso. Eram 6:42 da manhã e ele estava ali naquela rua cheia de casas abandonadas, sem nenhum som sequer ao não ser o do vento batendo num pé de ipê que dançava uma coreografia majestosa com seus galhos cheios de folhas vermelhas e laranjas. Aquelas cores em nada o agradava.

Ao se virar para checar mais uma vez se estava sozinho, ele viu uma sombra em uma janela de uma casa roxa a uns dez metros atrás de si. O medo tomou conta de seu corpo que ficou enrijecido. Será se estaria ele sendo vigiado? Nessa hora o peso do envelope pardo pareceu crescer exponencialmente, estava quente, palpitava, a impressão que era de que ele carregava uma imensa bomba-relógio. E era quase isso. As palavras que continham dentro do envelope possuíam o mesmo efeito e, apesar do frio, uma gota de suor escorreu pela sua testa. Não estava preparado para encarar as palavras impressas no papel e queria adiar aquele momento o quanto pudesse, mas sabia que mais cedo ou mais tarde teria que encarar os fatos, ou as belas letras escritas em preto que poderiam não ter nada de belo para contar. Mas enquanto não chegasse ao seu destino final o homem não leria. Essa havia sido uma das exigências do remetente.

A pele do homem estava mais pálida que o normal, seu estômago se revirava todo, sentia gosto de bile na boca. Talvez medo, talvez somente ansiedade. Naquela carta poderia estar a salvação de sua vida, mas também a destruição dela. Uma linha tênue. Era assim que ele se sentia, como se estivesse caminhando por uma linha tão frágil que o poderia levar a dois extremos que ironicamente caminhavam lado a lado. Deveria abrir? Ele no fundo tinha vontade de abrir aquilo logo de uma vez e se livrar da ansiedade.

Uma leve chuva começou a cair, olhou para cima e um pingo caiu em seus olhos azuis. Fechou, mas não os tocou, apenas esperou que a gota escorresse. Gota essa que poderia muito facilmente ser confundida com uma lágrima. Ele retomou a caminhada em passos rápidos, precisava chegar a um local seguro para ler aquilo que o viria libertá-lo (ou não). Guardou o envelope no bolso do sobretudo, cruzou os braços e abaixou a cabeça continuou caminhando.


Aquele seria o dia que marcaria um novo começo, sua vida estaria totalmente mudada após ler aquelas letras organizadas em frases contidas naquele papel no envelope pardo. Mas a ordem que ele precisava seguir eram dos passos de seus tênis cinza naquela rua suja. E assim ele seguiu. Um passo após o outro.


Gostou do texto? Faz parte de um exercício de um projeto maravilhoso que estou participando, o Projeto Escrita Criativa. Quem quiser conhecer mais, acesse a página ou o grupo do projeto. Lá tem a lista de todos os blogs participantes. A ideia da postagem (do mês de agosto que só fiz agora) era fazer um texto descritivo sobre "uma pessoa andando nas ruas com um envelope nas mãos". E aí? Você acha que eu cumpri bem o que foi proposto? Adorei ter desenvolvido esse texto porque já me encheu de ideias para uma possível continuação (mas não só ideias). Até uma próxima!

P.S. Aqui você encontra  texto da Fernanda Rodrigues, que também faz parte do projeto. Dá uma olhada, o texto dela é ótimo!

domingo, 6 de setembro de 2015

Sobre o que ser quando crescer

Quando era criança, eu tinha milhares de sonhos e planos do que seria quando fosse adulto. Ser adulto era uma coisa de extrema importância para mim e eu me esforçava bastante na escola para orgulhar minha família, afinal eu estava estudando para um dia ser adulto bem sucedido, certo? Bem, era isso que eu pensava.


Foi posto desde cedo na minha cabeça que eu deveria seguir uma profissão que desse dinheiro como  advocacia, engenharia, arquitetura ou medicina, e, durante um tempo eu até me animei com a ideia (de ser bem sucedido, claro, pois desde cedo vi que não tinha vocação pra nenhuma dessas profissões).

O que eu gostava mesmo era de arte. Gostava de inventar historias para meus bonecos de plástico, amava ouvir música em casa e ficar dancing with myself . Fazia fantoches de meia e apresentava para uma platéia imaginária, pois adorava a ideia de ter um público prestando atenção em algo que eu havia me dedicado para fazer. Gostava de cantar músicas em inglês mesmo sem saber nada da etra ou sobre notas musicais e também costumava usar a escova de cabelo como microfone, e, quando não cantava, eu apresentava algum programa na minha televisão imaginária. Mas de todas essas coisas, o que eu mais gostava era de ler e escrever poesias.
Menino lendo na cama, 'by Anni Matsick'

Todas essas diversões solo eram escolhas minhas porque apesar de ter sempre bastantes amigos e primos com quem brincar, eu preferia muitas vezes ficar isolado e curtir minha infância sozinho, fazendo aquilo que eu considerava arte. Mas com o passar do tempo, a falta de compreensão e  meu "amaendurecimento" fez com que tudo isso se perdesse. Comecei a escrever menos e não mais produzia fantoches porque costura não é coisa que um rapaz deve fazer. O caderninho de poesia foi pro lixo, junto com todas as rimas inocentes da minha infância. Cantar passou a ser uma coisa bem íntima, só quando sabia que estava sozinho porque ninguém era obrigado a ouvir minha voz feia. Brincar de bonecos aos 11 anos de idade passou a ser um grande segredo que mantinha, pois é vergonhoso que você se comporte como criança quando seus amigos estão começando a se importar com coisas mais sérias, como namorar, por exemplo. E eu fui nessa onda.

Tentei passar pelas mesmas coisas que meus amigos passavam, tudo sem saber que não era hora, aquele não era meu momento. Eu ainda era uma criança. Fui crescendo e a vontade de viver de arte foi sendo reprimida, o pensamento de que deveria ter uma profissão "mais útil" foi ganhando espaço até que decidi que seria advogado. Mas confesso que nesse processo eu continuava com muitos sonhos que não fossem ser advogado como ser escritor, músico, ator, ou até mesmo professor de literatura, mas esse tipo de coisa não podia ser falada em voz alta. "Onde já se viu passar a vida ganhando a mixaria de salário de professor, Leonardo?" Isso seria jogar no lixo todas as expectativas e investimentos que minha família teve em mim.

E foi assim que eu segui, passando pelas fases cada dia pensando menos em mim e cada vez pensando em ser alguém que "os alguéns" admirassem.  Mas sempre de olho em busca de algo me que me fizesse feliz e de quebra (como não quer mada) me desse sucesso profissional até que achei a resposta assistindo a um jornal. Foi durante o almoço, ao meio-dia, assistindo ao Jornal Hoje que disse para mamãe "um dia ainda vou substituir o Evaristo" e ela sorriu. Não foi um sorriso desacreditado, foi mais como um meu filho sonha demais. Pelo menos não era um não. Vi no apresentador do jornal a representação de muitas coisas eu poderia fazer, porque eu estaria na TV, apresentando e por trás dã câmera eu ainda iria escrever, tinha coisa melhor? Desde esse dia eu havia decidido o meu futuro, iria ser jornalista. Mas o Leonardo daquela época não tinha ideia de que para chegar aonde eu queria a vida daria muitas curvas e manobras radicais. Se não me segurasse seria queda na certa. 

Prestei vestibular para jornalismo e minha mãe já estava até conformada com minha decisão, afinal ela é maravilhosa e me apoia em tudo nessa vida que não seja cometer um crime ou usar drogas. E o vestibular, Léo, passou? Sim, mas para minha segunda opção Rádio e TV, um curso que viria a ser uma paixão. Não que eu perdesse o amor por jornalismo, pois ele sempre estaria marcando presença no ali no coração , mas porque na universidade que eu passei, jornalismo é mais voltado para o impresso enquanto o curso de Rádio e TV me daria a chance de escrever para um veículo fantástico que está presente na minha vida desde cedo. Televisão! Eu teria the best of both worlds, à lá Hannah Montana do meu jeito sem direito a showbiz.  E hoje Léo, você ainda faz esse curso? Sim, mas quer saber de uma coisa? Apesar da minha escolha, apesar de eu estar fazendo uma coisa que gosto ainda não é o suficiente. Preciso de mais arte na vida mas acho que de tão sufocada, a criança sensível  que vivia dentro de mim desfaleceu, ficou em coma, sei lá. O que eu preciso nesse momento é fazer alguma coisa para acordá-lá, mostrar o espaço que há na minha vida só esperando ser ocupado por ela novamente. Agora que tenho alguma autonomia sobre mim mesmo, sobre o que ser quando crescer é preciso que essa criança volte a sonhar e mostrar as múltiplas possibilidades do que ser, pois o que eu aprendi aos vinte anos de idade é nunca é tarde demais para sonhar e ainda há muito o que crescer e infinidades que coisas que ainda é possível ser.