quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Ouço Histórias de Amor

Um tempo atrás eu tive uma experiência bem legal na vida: ouvi histórias de amor. Era uma intervenção artística que fazia parte de uma oficina teatral que participei, então, mesmo morto de vergonha, botei a cara no sol e fui.

Fiquei sentado em um corredor bastante movimentado do prédio em que estudo segurando uma plaquinha com a frase “Ouço histórias de amor” escrita nela. Meus primeiros 10 minutos foram bem vergonhosos porque a cara das pessoas que me viam ali era de “What? Que pessoa em pleno meio dia de uma segunda-feira fica num corredor pra ouvir histórias de amor?” Na verdade esse povo artístico de teatro costuma fazer com freqüência coisas do tipo, mas aí que ta o negócio: eu não sou de teatro; logo, não é comum pra mim sair por aí perguntando sobre a vida das pessoas nem nada parecido.

Pois bem, passados os dez primeiros minutos sentou uma pessoa. Não importa se era um amigo e só aceitou sentar porque eu pedi uma, duas, três, dez vezes, né? Não, não importa! O amigo ficou bem relutante em se abrir no começo por conta da história não ter um final legal, mas aí perguntei se ele amou a tal pessoa mesmo que por um tempo e se amá-la o deixou feliz, ele disse que sim. Pronto! Foi o suficiente pra entender o objetivo do negócio.

A história até que começa bem quando um amigo desse meu amigo o apresenta à tal pessoa, que depois viraram muito amigos mas não podiam ficar juntos porque a pessoa tinha um namorado. Daí em diante a história fica meio tensa, pois acontece que, num momento em que meu amigo já estava loucamente apaixonado, a pessoa que ele gostava disse que tinha dado um tempo no namoro e rolou que eles acabaram transando. O tenso da história é que ela acabou bem ali. A parte do tempo no namoro era mentira e para a pessoa o que aconteceu foi somente sexo enquanto pro meu amigo tinha sido muito mais, pois já tinha se envolvido bastante na situação. Resultado: ele ficou um caco. O que se aprende dessa fábula do terror é: não transe com quem acabou de dar um tempo no namoro. Mentira, pode transar mas não se envolva. Mas voltando ao caso do um amigo: o lado bom é que ele mesmo resolveu esquecer a pessoa, bloqueou de tudo e cortou qualquer relação antes que sofresse ainda mais. Hoje em dia ele ta bem e nem sofre miséria por causa desse passado. A prova disso é que já viveu “trocentas” outras histórias de amor depois do episódio.

Depois dessa primeira história eu fiquei super curioso para ouvir uma feliz, e não demorou muito e a segunda pessoa apareceu. A história foi bem engraçada e cheia de detalhes, no entanto os dez minutos de conversa podem ser resumidos em: Um garoto rebelde gostava de uma garota da igreja, e que pra se aproximar, resolveu fazer parte do grupo de teatro, chegando até a ganhar o papel de Jesus numa peça – o garoto tinha cabelo moicano na época; ou seja, Jesus era meio punk. A garota o odiava, mas virou sua amiga e com o tempo se apaixonou por ele e estão juntos há quatro anos.




Em outra história o contador tinha vivido esse amor em outro estado e o romance acabou por conta da distância. Já em outra, o contador se sentia muito mal por ter iludido o coração de uma garota. Uma das mais fofas foi sobre uma amizade que virou amor por conta da insistência e da falta de desânimo do contador mesmo após levar mais de setenta “nãos” da pessoa que amava.

Ao longo daquele dia ouvi várias histórias que variavam de tristes a felizes, de homo a heteroafetivas, até história de amizade, já que elas também são de amor. O mais legal foi que algumas pessoas não entenderam que a iniciativa fazia parte de um curso e ligaram o fato somente a mim como o Garoto Que Ouve Histórias de Amor. Achei o máximo. Foram tantos relatos, às vezes mais de um pela mesma pessoa e algumas histórias estavam começando a serem escritas e tinham tudo pra serem felizes por muito tempo. Tomara que sejam.

Como isso tudo posso dizer que fiquei muito contente por ver que as pessoas estão amando por aí. O mundo precisa de mais amante porque, quando se está amando trancado em próprio mundinho, não importa se o vizinho dorme com homens ou mulheres, se a menina da sala de aula é negra e tem o cabelo crespo, se a caixa do supermercado é transgênero ou se a amiga não é cristã, o que importa mesmo é a felicidade de um amor bem vivido, e que todas as pessoas, mesmo que diferentes, tenham um dia a experiência de amar. Amar é tão legal que eu nem me importo se é correspondido ou não, pois só de sentir essa coisa maravilhosa no coração já me sinto mais humano e mais alegre e com vontade de sair cantando por aí como um personagem de High School Musical.

Como já havia dito, fiquei associado como o Garoto Que Ouve Histórias de Amor e por conta disso até pouco tempo uma pessoa chegou em mim no facebook pra contar seu romance. Fiquei bem feliz, pois adoro ouvir, ver e ler histórias de amor, então se aprochegue, fica a vontade e diga pra mim sobre quando você amou alguém. Sou todo ouvidos.


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