quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Em um relacionamento sério com o busão

Depois de algumas frustrações com minha falta de criatividade sobre o que quê escrever aqui no blog, veio a *brilhante* ideia (lâmpada acendendo em cima da cabeça) de que eu deveria falar sobre ônibus, que tal? Afinal, é dentro desse transporte cada vez mais caro e cada dia menos vazio e confortável que eu passo bastante tempo da minha vida.

Pois bem, vamos do início. Li uma vez (não sei aonde) que pesquisadores pelas bandas aí onde se faz pesquisas disseram que nós passamos um terço da nossa vida na cama, caso você durma oito horas por dia. Seguindo esse raciocínio, eu que passo três horas diárias dentro de um ônibus (muito provavelmente dormindo), passo três oitavos do meu dia dentro dele. Então, essas três horas  de sono no busão equivalem a quanto tempo da vida, no geral? Não sei ainda ao certo.






De acordo com uma conta não muito confiável que eu fiz, o tempo que eu gasto dentro de um ônibus no percurso de ida e volta casa para a universidade é muito grande e poderia ser gasto com outra coisa. Na minha matemática básica de garoto de escola pública que só se preocupava em passar, eu peguei os minutos que passo no ônibus diariamente (cerca de 180), multipliquei por 5 (dias da semana), multiplicando por quatro semanas, que é igual a mais ou menos um mês; e, por ultimo, multipliquei por 25 meses (tempo que estou na universidade). Uffa, é número demais...


Bem, o resultado desse cálculo hiper mega power duvidoso deu aproximadamente 60 mil minutos, ou seja, MIL HORAS. É tempo pra caramba! É como se eu passasse quarenta e dois dias ininterruptos em um ônibus. 







Nesse tempo todo eu poderia estar aproveitando de outra forma como aprender a tocar violão, escrever meu romance, aprender a pintar, viajar para Amsterdam, ou até mesmo dar uma volta ao mundo! É tanto tempo perdido no busão que depois desse cálculo eu fiquei bem desanimado com a vida. 

Se bem que eu gosto de dormir, independente do local onde eu esteja dormindo, e como o ônibus é um local propício pra isso, eu aproveito bem. Sério,  é só eu sentar num banco que eu durmo! Não sei ao certo a razão disso acontecer SEMPRE, nem tento entender (vai ver é o tremelexo do carro que simula o balanço de uma rede, só que não). Esse meu sono súbito até já me livrou alguns assaltos por aí. Na hora do perrengue enquanto os assaltantes roubavam horrores, eu estava de boas curtindo o verão com meus óculos escuros tirando um soninho maneiro. 


Mas como nem tudo são assaltos espinhos e não há nada que possa fazer em relação a diminuir o meu tempo no trânsito (como comprar um carro por esses tempos de crise), eu tento fazer o que posso para fazer do tempo que passo no ônibus um momento agradável. Fora depois de tirar um cochilo, eu faço várias coisas como estudar, ler um livro, rabiscar idéias para meu romance ou decorar as falas de algum personagem que eu vá interpretar. Assim eu faço do meu momento chato um momento mágico! 





O ônibus muitas vezes deixou de ser para mim somente um transporte e passou a ser como um laboratório. Nos apertos, aromas nada agradáveis de pessoas suadas, barulhos e frenesi de gente atrasada ou mesmo nas conversas de pessoas desconhecidas sobre amenidades (ou fofocas) da vida, que eu observo esse ser incrivelmente complexo e maravilhoso que é o ser humano. Já vi, ouvi e vivi cada coisa dentro dos busões que chega a valer muito a pena o tempo que passo lá. A impressão que dá é que o ônibus nos torna mais humanos, pois estamos em contato com todo tipo de pessoa que depende daquele transporte tanto quanto você, então você meio que se põe no lugar delas e começa a viver em comunidade, assim como quando uma mulher pagou a minha passagem no dia que minha carteirinha de meia passagem não passou na máquina por falta de saldo, em um dia que eu não tinha um centavo sequer. 

Aquelas pessoas dividem o mesmo dilema contigo, e poderiam estar estar fazendo outra coisa mais proveitosa da vida, mas não, estão lá dentro daquele transporte se locomovendo para algum outro lugar mais importante que lá. 

Eu por exemplo, só vim participar dessa comunidade onibuseira há pouco tempo, pois morei a vida toda em cidade pequena. Lá, quando eu precisava ir na casa de um amigo, comprar algo ou sair pra comer um cachorro quente era tudo muito fácil e perto, então eu aproveitava bastante tempo no local onde eu queria estar e o trajeto para mim era de quase nenhuma importância. Desde que vim morar (pela segunda vez em três anos) na capital, eu tenho me acostumado a passar mais tempo no trajeto de casa para determinados lugares que no próprio lugar. É uma forma estranha de se viver, mas é a vida. 

Para se ter uma ideia, nesses três anos de busão pra cá e busão pra lá, eu poderia ter feito horrores de coisas assim como uma amiga minha de infância. Dentro desses três anos ela conheceu um cara, se apaixonou, namorou, casou, engravidou, deu a luz a um menininho e até comprou uma casa, acredita? Hoje ela está de boas curtindo o verão com o filhinho mais fofo do mundo e eu aqui escrevendo esse texto num ônibus com mais 80 pessoas num calor de 40 graus de uma tarde de quinta-feira, tentando convencer a mim mesmo que isso não é tão ruim. Talvez eu o peça em namoro, já que no momento não estou podendo cortar essa relação. 




(Pra fazer o calculo do tempo que gasto no ônibus, eu levei em conta  o tempo que morei em outro local mais perto da universidade em que só passava 40 minutos no ônibus, mas confia em mim que tive o trabalho de anotar os meses e tudo mais)

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