Está um lindo dia de sol. Um calor gostoso convida as pessoas a irem à praia ou fazer qualquer atividade ao ar livre. O céu está pintado de um belo tom de azul e nas árvores há dezenas de pássaros assoviando musiquinhas do Maroon Five. Um dia incrível para Madalena.
Ela tem tantas opções de lazer. Há tantos lugares que ela pode ir e aproveitar como ir ao cinema, sair para comer, jogar boliche, fazer piquenique. Ela precisa aproveitar o tempo bom da melhor maneira, afinal de contas, não é todo dia que faz um calorzinho tão agradável. Na cidade de Madalena faz mais frio que calor e esse frio congela tudo, até a disposição e alegria que um abraço quentinho não é capaz de derreter.
Em dias assim, Madalena tem um companheiro que lhe ajuda a passar por esse frio congelante: um cachecol roxo com azul, verde, amarelo, laranja e vermelho. Quando o frio aperta e ela não sabe como encarar a baixa temperatura da rua, Madalena abre seu imenso guarda-roupas e pega o bendito cachecol que fica na última gaveta atrás da meia de coruja lilás e parte com ele pra rua. Ela o enrola no pescoço e o leva para todos os lugares, principalmente para comer, pois em dias muito frios uma comidinha quente é sempre a melhor forma de se aquecer.
Nesses dias em que a temperatura média está em oito graus celsius, Madalena costuma sair sozinha apenas com uma roupa quente e, claro, seu cachecol. Não que gostasse de ficar sozinha (ela odeia a solidão), mas porque nenhum dos amigos dela gosta de se arriscar no "gelo" e ficar doente. Normal pensarem assim.
Hoje, com o sol forte do lado de fora, Madalena guardou novamente seu cachecol colorido no local mais obscuro de seu guarda-roupa e, quando sua mãe sugeriu que o levasse na bolsa para o caso de fazer frio mais tarde, ela respondeu que não carregaria um peso morto consigo, ainda mais em um dia ensolarado sem previsão de frio à vista. Sua mãe não insistiu mais, afinal ela sabia que a filha só fazia o que bem quisesse.
O que Madalena não ficou sabendo é que no mesmo dia sua mãe resolveu doar aquele cachecol para outra pessoa. Alguém que pudesse aproveitá-lo de todas as formas e não o abandonasse nem em dias de sol. Pode ser que Madalena nunca mais se aqueça naquelas cores roxa, azul, verde, amarelo e vermelho responsáveis por encherem de cores os seus dias cinzas; o que é uma pena pois, segundo os meteorologistas, a previsão para os próximos tempos é de temperaturas baixíssimas e nenhum cachecol do mundo poderá lhe trazer um calor tão gostoso quanto aquele que já não é mais seu.

